O Brasil enfrenta desafios estruturais na educação, como evasão, defasagem, formação docente, segurança nas escolas e dificuldades de aprendizagem. Esses temas afetam tanto políticas públicas quanto a rotina escolar e exigem respostas consistentes.
Neste texto, você encontrará um panorama direto dos principais pontos em debate, com dados e referências para contextualizar o cenário atual.
Por que a evasão e a defasagem escolar ainda são desafios?
A evasão e a defasagem idade-série são problemas persistentes. Um levantamento do UNICEF com o Ipec apontou que 2 milhões de crianças e adolescentes de 11 a 19 anos não frequentavam a escola.
Parte dos entrevistados citou trabalho e falta de retomada presencial (pós-pandemia) como motivos relevantes.
Além das causas econômicas, questões como transporte, cuidado familiar e saúde mental influenciam a permanência dos estudantes.
O mesmo levantamento registrou demanda por apoio psicossocial na escola, sinalizando que permanência e aprendizagem dependem também de acolhimento e suporte.
O que define o Plano Nacional de Educação (PNE)?
O PNE define metas e estratégias para orientar políticas públicas por uma década. No período 2014–2024, balanços apontaram alto índice de metas não cumpridas (cerca de 86%), além de retrocessos e dificuldades de monitoramento por falta de dados abertos.
Na prática, sem acompanhamento consistente, fica mais difícil corrigir rumos e medir efetividade de ações em alfabetização, escolaridade, financiamento e qualidade do ensino. Esse é um gargalo central de governança educacional.
Reforma do ensino médio: o que vem por aí?
A reforma do ensino médio passou por atualização legal e terá implementação gradual. Aqui, você entende o que muda de forma objetiva e como isso tende a impactar a organização da rede e da escola.
Pela nova regra, os sistemas de ensino iniciaram a implementação em 2025 para a 1ª série; em 2026, para a 2ª série; e em 2027 será implementado para a 3ª série.
As diretrizes curriculares serão revistas e os itinerários formativos serão melhor delineados de forma colaborativa entre MEC, CNE, redes estaduais e especialistas, com apoio técnico às redes para elaboração de planos de ação e regras de transição.
A carga horária total do ensino médio segue em mínimo de 3.000 horas nos três anos. Desse total, a Formação Geral Básica (FGB) passa a ter 2.400 horas, contemplando os componentes previstos na BNCC, como português, inglês, matemática, artes, educação física, ciências da natureza e ciências humanas.
Os itinerários formativos ficam regulamentados e devem funcionar como aprofundamento por áreas do conhecimento ou pela formação técnica e profissional. A carga mínima dos itinerários será de 600 horas, exceto na formação técnica e profissional, quando pode chegar a 1.200 horas.
A lei determina que as redes garantam que as escolas ofereçam no mínimo dois itinerários, com exceção de escolas que ofertam Educação Profissional e Tecnológica (EPT).
Na Educação Profissional e Tecnológica (EPT), a FGB mínima será de 2.100 horas, com possibilidade de 300 horas destinadas a conteúdos da BNCC relacionados ao curso técnico, permitindo aproveitamento de disciplinas compatíveis (como matemática, física e química, dependendo da área).
No itinerário com ênfase técnica, a carga mínima será de 900 horas, podendo chegar a 1.200 horas, somando com a FGB o mínimo de 3.000 horas.
A lei também veda EaD no ensino médio: a oferta deve ser presencial, com admissão excepcional de ensino mediado por tecnologia, a ser regulamentado com participação dos sistemas estaduais e distrital.
Quanto a idiomas, a norma mantém inglês como obrigatório e prevê que outras línguas possam ser ofertadas, preferencialmente o espanhol, conforme disponibilidade.
Há ainda previsões específicas para ensino noturno (ao menos uma escola por município quando houver demanda), regras para tempo integral (aproveitamento de experiências extraescolares vinculadas ao currículo, com comprovação definida pelos estados) e critérios de equidade social na expansão do tempo integral, com prioridades de financiamento e programas associados.
Baixa qualidade de ensino e aprendizagem: por que o PISA importa?
O Brasil usa indicadores nacionais e internacionais para avaliar aprendizagem e os resultados seguem abaixo do esperado. Saiba do que se trata um deles.
No PISA 2022, divulgado pelo Inep/OCDE, 73% dos estudantes brasileiros tiveram desempenho abaixo do nível mínimo (nível 2) em matemática. Em leitura, cerca de 50% atingiram o nível 2 ou superior; em ciências, aproximadamente 45% alcançaram esse patamar.
Esses dados indicam que uma parcela relevante dos alunos não domina habilidades básicas ao fim da educação básica, o que reforça a necessidade de fortalecer aprendizagem, reduzir desigualdades e monitorar resultados com consistência.
Esses dados indicam que uma parcela relevante dos alunos não domina habilidades básicas ao fim da educação básica, o que reforça a necessidade de fortalecer aprendizagem, reduzir desigualdades e monitorar resultados com consistência.
O PISA importa porque oferece um retrato comparável da aprendizagem dos estudantes em leitura, matemática e ciências, permitindo identificar lacunas reais e acompanhar a evolução ao longo do tempo.
Com esses dados, gestores e redes conseguem calibrar políticas públicas, direcionar investimentos e avaliar se mudanças curriculares e programas de apoio estão gerando efeito, especialmente na redução de desigualdades entre escolas e grupos sociais.
Desafios na educação: violência nas escolas
A violência no ambiente escolar inclui agressões físicas e psicológicas, ameaças e episódios de automutilação, além de casos extremos que exigem prevenção e resposta rápida.
O número de registros de violência no contexto escolar mais que triplicou em 10 anos, passando de 3,7 mil (2013) para 13,1 mil (2023), com base em dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, em conteúdo publicado pela TV Cultura.
Além disso, o tema envolve saúde mental e acolhimento: análises com base nos mesmos dados destacam ocorrências de violência autoprovocada e reforçam a importância de protocolos de prevenção e apoio psicossocial na escola.
Nesse contexto, a tecnologia surge como aliada para ensinar crianças e jovens a usarem a internet com responsabilidade, reconhecer riscos, respeitar limites e desenvolver pensamento crítico no ambiente digital.
Tecnologias na educação e tecnologia educacional
Tecnologia educacional não é “equipamento por si só”. O impacto depende de planejamento pedagógico, formação docente e uso contextualizado.
Recursos como plataformas digitais, conteúdos interativos e lousas digitais podem apoiar metodologias ativas, ampliar engajamento e facilitar acompanhamento de aprendizagem.
O desafio é duplo: levar infraestrutura adequada para as escolas e garantir que professores e estudantes usem as ferramentas com propósito pedagógico claro, evitando uso superficial.
Ensino remoto e híbrido: o que precisa para funcionar?
O ensino remoto emergencial acelerou o debate sobre modelos híbridos. A lição central é que o digital pode apoiar o presencial, mas precisa de estrutura, objetivos e critérios de acompanhamento.
No modelo híbrido, parte das atividades ocorre em plataformas online e parte presencialmente, com foco em personalização e continuidade. Para funcionar, exige organização, avaliação de resultados e inclusão digital.
Como a realidade aumentada pode ajudar na aprendizagem?
A realidade aumentada permite sobrepor elementos digitais ao mundo real, criando experiências visuais que ajudam a explicar conceitos e aumentar participação.
Em contextos educacionais, isso pode ser aplicado com materiais didáticos interativos e atividades guiadas, desde que o uso esteja conectado ao conteúdo e aos objetivos de aprendizagem.
Guia: formação docente e valorização da profissão
A formação e a valorização docente são centrais para qualquer avanço. Uma pesquisa do Semesp alertou para risco de déficit de professores na educação básica que pode chegar a 235 mil em 2040, associado a fatores como atratividade da carreira e condições de trabalho.
Além de salário e jornada, pesa a necessidade de formação continuada, apoio pedagógico e condições mínimas para ensinar com segurança e qualidade.
O tema também entrou na agenda legislativa. O PL 3674/2025, em análise na Câmara dos Deputados, propõe reduzir de 40 para 30 horas semanais a jornada máxima de referência do piso nacional do magistério sem redução de remuneração ou de direitos, alterando a Lei nº 11.738/2008.
A proposta busca enfrentar a sobrecarga e melhorar as condições de trabalho, o que pode contribuir para aumentar a atratividade da carreira e reduzir a evasão de profissionais ao longo do tempo. O projeto ainda precisa passar pelas comissões da Câmara e, se aprovado, seguir para o Senado antes de eventual sanção.
Passo a passo: como enfrentar os desafios na educação brasileira na prática
1. Diagnostique a realidade local com dados
Levante indicadores de frequência, evasão, defasagem idade-série, desempenho e clima escolar para priorizar ações.
2. Defina metas claras e acompanháveis
Estabeleça objetivos por ciclo (alfabetização, leitura, matemática, permanência) e crie rotinas de monitoramento com transparência.
3. Atue primeiro na permanência e no acolhimento
Estruture busca ativa, prevenção de abandono, apoio psicossocial e estratégias para estudantes em maior vulnerabilidade.
4. Fortaleça as aprendizagens essenciais
Priorize recuperação de defasagens, reforço estruturado, materiais de qualidade e avaliação formativa contínua.
5. Aprimore currículo e implementação de políticas
Garanta coerência entre BNCC (Base Nacional Comum Curricular), planejamento pedagógico e mudanças do ensino médio, com formação e suporte às escolas.
6. Invista em formação docente contínua e apoio pedagógico
Ofereça formação prática, tempo de planejamento, coordenação atuante e acompanhamento em sala de aula.
7. Implemente tecnologia com propósito pedagógico
Defina objetivos (engajamento, avaliação, produção, acompanhamento), escolha ferramentas adequadas e capacite professores antes de escalar.
8. Estruture o ensino híbrido de forma planejada
Integre atividades online e presenciais com critérios de avaliação, acompanhamento e inclusão digital para não ampliar desigualdades.
9. Previna violência com protocolos e cultura de convivência
Estabeleça fluxos de prevenção e resposta, ações anti-bullying, articulação com famílias e rede de proteção, além de educação digital responsável.
10. Avalie impacto e ajuste continuamente
Compare resultados antes/depois, colete feedbacks de professores e alunos e corrija rotas com base em evidências, não em impressão.
FAQ – Perguntas sobre desafios na educação brasileira
Quais são os maiores desafios da educação brasileira hoje?
Os principais são evasão e defasagem idade-série, dificuldades de aprendizagem, implementação de políticas como o ensino médio, violência no ambiente escolar e formação/valorização de professores. Em geral, esses pontos se conectam e se reforçam entre si.
O que mais pesa na evasão escolar?
Além de fatores econômicos, entram questões como transporte, necessidade de trabalhar, responsabilidades familiares e saúde mental. Por isso, combater evasão envolve ações de busca ativa, acolhimento e apoio contínuo ao estudante.
Como a escola pode reduzir defasagem e melhorar aprendizagem?
Com diagnóstico claro das dificuldades, recuperação estruturada, reforço contínuo e avaliação formativa. Também ajuda focar em aprendizagens essenciais, especialmente leitura e matemática, para evitar que a defasagem se acumule.
Por que o Plano Nacional de Educação (PNE) é importante?
Porque ele orienta metas e estratégias para o país por uma década. Quando há falhas de monitoramento e dados insuficientes, fica mais difícil medir se as políticas estão funcionando e corrigir o rumo a tempo.
O que muda com a reforma do ensino médio nos próximos anos?
A implementação é gradual e envolve ajustes na formação geral básica, na organização dos itinerários formativos e em regras de oferta. Na prática, o desafio é garantir clareza curricular, professores preparados, infraestrutura e uma transição que não prejudique quem já está no sistema.
Por que o PISA é tão citado quando o assunto é qualidade do ensino?
Porque ele permite comparar desempenho dos estudantes em leitura, matemática e ciências ao longo do tempo e entre países. Esses dados ajudam a identificar lacunas e orientar políticas com menos “achismo” e mais evidência.
Como prevenir violência e melhorar o clima escolar?
O caminho passa por protocolos de prevenção e resposta, ações anti-bullying, articulação com famílias e rede de proteção, além de apoio psicossocial. Também é importante fortalecer a cultura de convivência e de pertencimento na escola.
Tecnologia resolve os desafios da educação?
Sozinha, não. Ela pode ajudar quando entra com objetivo pedagógico claro, formação docente e infraestrutura mínima. Sem isso, vira apenas equipamento e não melhora aprendizagem de forma consistente.
O que é ensino híbrido e quando faz sentido?
É a combinação planejada de atividades presenciais com práticas online. Funciona melhor quando há critérios de acompanhamento, avaliação e inclusão digital, para não aumentar desigualdades entre alunos.
Como valorizar professores e evitar déficit de docentes?
Com condições de trabalho mais sustentáveis, formação continuada, tempo de planejamento, apoio pedagógico e políticas de valorização. Medidas ligadas a carreira, jornada e atratividade são parte do pacote para manter e atrair profissionais.